Proibido para maiores

Por Vivian Bulla ( vbulla@modapoint.com.br).

As marcas de todo o país têm alterado a modelagem de seus produtos. E para menor!
Parece incrível, mas esse comportamento reflete as estratégias de marketing das empresas, que querem excluir os consumidores que não julgam adequados para suas roupas: os "maiores" cheinhos e gordinhos.

Imagem da marca

Toda empresa precisa ter uma "cara" própria para cativar seu consumidor e se destacar da concorrência. Entretanto, as marcas brasileiras possuem em comum a vontade de serem modernas, o que para elas significa atingir o mesmo consumidor: jovem e magro.

As confecções diminuíram os tamanhos porque o padrão de beleza mudou. Marcas como Forum, Zoomp e Ellus fizeram um trabalho de adaptação para esse novo padrão (ou nova ditadura?), de forma que certos produtos são feitos para um público alvo: teens, patricinhas, executivas mais sérias.
Porém todas essas mulheres devem estar numa mesma coleção a ser comercializada no mesmo espaço. É por isso que certos modelos só têm numeração do 36 ao 42, enquanto outros vão do 38 ao 46 (ex: alfaiataria, jeans com  gancho mais alto, pecas clássicas em geral).
Acho que essa mudança, foi motivada pelos próprios consumidores que começaram a fazer dietas, lipo, enfim a ter uma preocupação maior com o peso e a forma, e isso como conseqüência direta do que a mídia nos apresenta.

Debora Andrade é estilista.

40, 38, 36...

Nesse conceito, a idéia é que deixar vender para uma pessoa que não se enquadra dentro do padrão estético é, na verdade, lucro para a imagem da empresa.
Por isso, o tamanho 40 passou a ser 38 e assim por diante. Tamanhos que antes eram considerados "G", como o 46 e o 44, foram praticamente excluídos. E, numa mesma confecção, o "40" pode ter modelagens diferentes.
Em parte, isso se deve à falta de uma referência nacional para padronização dos tamanhos. A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) possui uma única tabela, não obrigatória, de medidas de cintura e busto, mas está tentando organizar o Censo Antropométrico Brasileiro. O projeto até hoje não deu nenhum passo significativo no que diz respeito a definir os tamanhos dos brasileiros.

Depende do posicionamento da empresa. Se ela tem como objetivo vender para mulheres que têm esse perfil e que sejam magras e saudáveis, ela produzirá peças em tamanho reduzido numa faixa limitada (do 38 ao 44 somente, por exemplo.). Entretanto, são muitas empresas servindo a um mesmo mercado, enquanto outros em potencial - como os gordinhos e os mais velhos - não são abastecidos.
Os tamanhos dependem de cada confecção. No meu caso, se eu comprar uma calça jeans no shopping, eu levo o 42, dependendo o 44, o que é muito ruim! Mas se eu for ao Bom Retiro, compro calça jeans 38. Isso significa que o meu número pode variar em até três tamanhos.
Há também o fator econômico. Peças menores têm moldes menores e entram em maior quantidade no enfesto, rendendo mais peças por risco.
Na minha confecção, a Bibari, eu não reduzi os tamanhos da minha pois seria uma incoerência, uma vez que produzo roupas para senhoras e essas têm biótipo um pouco maior.

Lilian Elizabeth Lee, Bibari Confecções.

Estética: sonho e realidade

Nos últimos anos tem se assistido a uma verdadeira corrida pela boa forma. Mas poucos conseguem chegar às medidas inatingíveis das tops. Para se ter uma idéia, 59% das pessoas que já tomaram remédio para emagrecer não eram obesas do ponto de vista médico, segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas/ Unifesp.
É por isso que as empresas que têm rejeitado os consumidores "normais" estão com suas prateleiras lotadas de numeração "P", enquanto o "M" e o novo "G" esgotam-se rapidamente. Pelo jeito não existe um contingente tão vasto de pessoas jovens, bonitas e com alto poder aquisitivo para consumir tantos produtos P e PP em marcas similares. Que o digam as mulheres de 30 anos que, com formas mais acentuadas, não encontram o que vestir.

Aqui, seguimos as medidas-padrão dos magazines para os quais trabalhamos, por isso não há redução de medidas.
Particularmente, sou contra essa diminuição. Acredito que o estilista, ou dono da marca, tem o direito (na verdade, a necessidade) de criar para um determinado público-alvo, mas diminuir os tamanhos para que apenas um segmento da população possa usá-lo é uma forma de segregar preconceitos, o que é antiético, imoral e ilegal.
Sou contra. Vivemos numa democracia e existe o direito de se vestir o que quiser.
Isso é um fato notório para quem trabalha com moda, mas nem por isso desagradável. Essa atitude existe há tempos e provavelmente vai continuar assim. Infelizmente.

Marina Egger é estilista.

Gordinhos e cheinhos, não!

É difícil fazer com que alguma marca assuma seu preconceito contra os cheinhos e gordinhos. Elas alegam que as roupas, hoje, têm formas mais ajustadas e é por isso que as roupas não servem em algumas pessoas. Outras afirmam que determinados modelos vão desvalorizar a pessoa que veste uma numeração maior (quer dizer, é um favor aos "fora de forma" não tê-los como clientes?).
Independente da justificativa, discriminar uma parcela da população que não se enquadra em um padrão estético é uma atitude que demonstra que as empresas ainda têm muito que aprender em termos de profissionalismo. E principalmente deixa clara a falta de confiança no próprio produto, já que essas mesmas empresas não conseguem garantir bom caimento e qualidade em numerações maiores.

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Debora Andrade
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Lilian E. Lee
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Marina Egger
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